Marcelo Chamusca aprova chegadas de Andrigo e Thales ao Vitória

Anunciado há duas semanas pelo Vitória, o técnico Marcelo Chamusca ainda não recebeu nenhum reforço. Para ele, não tem problema. O comandante rubro-negro para 2019 diz que tem participado ativamente das negociações, aprovando e rejeitando nomes indicados pela direção.

Nesta entrevista exclusiva para o CORREIO, o treinador atualizou como está a formação do elenco. Falou das posições mais carentes, do perfil procurado e da necessidade de dar espaço à base. Também comentou a negociação mais próxima de ser concretizada: a ida de Neilton por empréstimo de um ano para o Internacional, que enviaria em troca o meia Andrigo e o zagueiro Thales, também por empréstimo de uma temporada.

O time principal do Vitória inicia a pré-temporada no dia 2 de janeiro. A estreia será no dia 15, contra o CSA, em Maceió, pela Copa do Nordeste. Chamusca ainda não definiu se será ele o treinador nesse duelo ou João Burse, técnico do elenco sub-23, que se apresentou nesta semana para adiantar a preparação. Confira os principais tópicos:

Técnico tem discutido as contratações
Marcelo Chamusca afirma que tem participado ativamente da busca por reforços. Só nesta semana, teve duas reuniões na Toca do Leão com o diretor de futebol, Jorge Macedo, e o presidente, Ricardo David, para aprovar ou rejeitar negociações em andamento: “Já existia uma lista montada pelo departamento de análise do clube com algumas indicações, inclusive alguns que eu já conhecia, e nós debatemos sobre ela. Também cheguei com nomes que entendo estar no perfil procurado, principalmente no aspecto financeiro, que a gente sabe, vai ter uma reduzida no orçamento. Temos que nos adequar rapidamente”.

Concorrência paulista tem atrapalhado
Chamusca revelou que a limitação financeira tem dificultado as negociações. Sobretudo, com jogadores que possuem propostas para disputar o Campeonato Paulista, torneio mais rentável do primeiro semestre: “A concorrência nesse início de ano é feroz, e a gente tem perdido negócios por conta disso. Temos atletas de qualidade, com perfil ideal para o Vitória, que alguns clubes do Paulistão oferecem o mesmo que a gente pagaria de salário e ainda dão luvas (bônus) na mão do cara para ele assinar. Sem falar na visibilidade da competição. Tem sido difícil, mas tenho me dedicado muito. Estamos usando nossa criatividade e conhecimento de mercado e vamos montar uma equipe competitiva”.

Por que não contratou ninguém ainda?
A dez dias do final do ano e com reapresentação marcada para 2 de janeiro, o Leão ainda não contratou nenhum reforço. “Não é só por conta disso (concorrência do Paulistão), não. Nós temos algumas situações muito próximas de fechar, mas que dependem de acertar um ou outro detalhe. São operações que não dependem só da vontade do atleta ou do clube. Por exemplo, os jogadores do Internacional que temos interesse. Depende de costurar todos os pontos com o empresário de Neilton, com os agentes dos outros atletas, entre os clubes… Demora algum tempo, mas em breve teremos reforços para mostrar à torcida”.

Camisa 10 será a prioridade
Ao avaliar o elenco rubro-negro, o técnico concluiu que a falta de um camisa 10, ou um meia de armação, limitou a variação tática da equipe. A contratação de um atleta com esse perfil é prioridade: “Na maioria das posições vamos ter que contratar. Zagueiros, laterais… A gente vai precisar de mais volantes. A única posição em que temos carência menor são os extremos, os homens de lado. Já temos algumas peças interessantes no elenco para essa função. Agora, um 10, a gente vai precisar trazer. Talvez uns dois organizadores de jogo. É uma carência, mas já estamos com duas negociações em andamento com jogadores que, acredito, vão se encaixar muito bem nesse perfil”.

Andrigo teve aprovação do treinador
Reforço mais próximo de ser anunciado, o meia Andrigo, 23 anos, que pertence ao Internacional e jogou no Sport e no Ceará em 2018, agrada a Chamusca. “É um nome que tinha sido indicado ao clube por Jorge Macedo, que trabalhou com ele no Internacional. E foi um nome que eu também avalizei, porque foi muito bem comigo no Ceará. Era meu vice-artilheiro quando se transferiu para o Sport (em março). Inclusive, aconselhei Andrigo a permanecer no Ceará, mas havia uma cláusula que o liberava do contrato e era uma questão entre o Internacional, que pagava todo o salário dele, e o empresário. É um cara muito profissional, que tem qualidade e noção tática”, elogiou.

Próximo do Leão, Thales também agrada
Outro jogador que deve chegar do Internacional na troca por Neilton é o zagueiro Thales. O defensor, que já atuou em três temporadas na Série B (2015 pelo Bahia, 2016 pelo Atlético-GO e 2017 pelo Internacional) também agrada a Chamusca. “O conheço e o acompanho. Inclusive jogou contra mim na Série B do ano passado, pelo Internacional, e eu no Ceará. É um jogador jovem, de qualidade, com bom biotipo e de muita imposição física. Tem um perfil que nos agrada. Está buscando uma oportunidade de crescimento na carreira, e tenho certeza que chegaria com muita vontade. Um atleta interessante, mas que ainda depende de alguns detalhes para que a gente traga”, explicou.

Neilton e Willian Farias não devem ficar
Além de Neilton, em negociação avançada com o Inter, o volante Willian Farias também busca novo time: “Há uma conversa do clube com estes atletas para que se encontre a melhor solução. Os dois precisam ser respeitados pelo que já fizeram pelo clube e estamos discutindo isso de maneira interna. Podemos usufruir de algumas situações como emprestar e ter compensação de outros atletas com salário pago, esse tipo de negociação que é muito comum no mercado”, disse Chamusca. O salário da dupla é alto.

Outros estão próximos de deixar o Leão
Além de Willian Farias e Neilton, o elenco rubro-negro deve ter outras baixas antes da reapresentação. O técnico não fala em nomes, mas Bou, Meli, Ruan Renato e Fabiano devem se mudar em 2019: “Tem muita movimentação, só que a gente depende de alguns atletas para oficializar as saídas. Tem que ser conduzido com muito cuidado, pois estamos lidando com atletas profissionais e temos que preservá-los. Mas teremos, sim, algumas saídas. Algumas equipes já se interessaram por estes jogadores”.

Elenco é considerado ‘inchado’
A saída de alguns atletas é imperativa. O grupo do Vitória que se reapresenta em 2 de janeiro tem 27 atletas. Sendo assim, não há espaço para reforços, já que Chamusca diz gostar de trabalhar com 28 jogadores: “No máximo 30. Gosto de ter, mesmo, 25 jogadores de linha e três goleiros. A ideia é ter um time montado, com uma mecânica de jogo definida desde o início do ano. Não tem tempo entre o fim do estadual e o início da Série B para mudar toda a equipe. Vamos continuar muito atentos ao mercado, ainda mais ao paulista, para que a gente faça as reposições mais importantes ao longo da temporada”.

Pratas da casa serão a base do elenco
Diante das dificuldades financeiras do Vitória, Chamusca dá o recado para a torcida: os jogadores formados no clube terão relevância numérica no elenco de 2019. “Vamos ter uma atenção especial com eles, porque o clube precisa voltar a sua essência, que na minha opinião sempre foi a de revelar jogadores. Por que não resgatar isso agora? Além de ser a essência do clube, existe uma necessidade financeira. Vamos mesclar estes jogadores que têm uma identificação com o Vitória aos que virão com vontade de crescer na carreira, mais maduros. E teremos também os mais ‘cascudos’, com vivência na Série B, para que possam exercer no nosso vestiário um perfil de liderança”. (As informações do Correio)

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