Investigação do assassinato do jogador Daniel terá semana decisiva

A história da morte do jogador de futebol Daniel Correa Freitas, 24 anos, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no último dia 27 de outubro, está longe de ter um fim. A cada nova descoberta da polícia, o caso assume contornos ainda mais misteriosos, em um enredo digno de um filme de suspense.

Na manhã da última quinta (15), outro suspeito de participar do assassinato, Eduardo Purkote, foi preso. Ele teria arrombado a porta do quarto onde estava a vítima, quebrado o celular, agredido Daniel dentro e fora da casa e pegado na cozinha a faca utilizada na execução. Eduardo foi um dos convidados da festa de Allana Brittes, e compareceu ao lado de seu irmão gêmeo. Os dois foram de Uber à casa que viraria a cena do crime.

Em depoimentos à polícia, ao menos dois suspeitos disseram que os irmãos Purkote participaram das agressões a Daniel. Na última sexta (16), uma adolescente que testemunhou as agressões sofridas pelo jogador e teria beijado Daniel durante a festa que culminou no crime, confirmou a participação de Eduardo, mesmo temendo vingança dos suspeitos.

“Ela está extremamente abalada, à base de remédios. A família inteira está abalada, já que nunca nenhum dos seus familiares passou por algo semelhante. Não é fácil apontar um dos irmãos conhecidos na cidade. Ela não foi ameaçada, mas está com medo de vingança por parte de um dos indiciados” disse o advogado da testemunha, Luis Roberto Zagonel.

Contradições

Em seu primeiro depoimento, Eduardo Purkote negou qualquer participação no crime. O advogado voltou a negar os depoimentos de testemunhas que afirmam que o suspeito teria agredido Daniel, pegado a arma do crime e destruído o celular do jogador. Zagonel, entretanto, rebate a versão. “É importante salientar que quem fala primeiro da participação do menino (Purkote) não é ela (testemunha), quem fala primeiro é o próprio Juninho (Edison Brittes, principal acusado do crime). Outra testemunha também fala da participação do Purkote, e já havia no inquérito a participação dele, ela traz elementos fortes”.

A testemunha em questão teria auxiliado na limpeza da casa de Edson Brittes depois do crime, e ainda cozinhado. O advogado da jovem justifica a interferência na cena do crime afirmando que a moça foi coagida. “Ela foi fortemente repreendida pelo Juninho quando quis chamar o SIATE (Corpo de Bombeiros do Paraná), o Juninho determinou que as testemunhas ficassem na casa até eles voltarem (do local do crime)”, disse o advogado.

O assassino confesso Edson Brittes, também conhecido como Juninho Riqueza, afirmou que apenas um dos gêmeos agrediu Daniel. Uma outra testemunha confirmou que um dos Purkote bateu no jogador enquanto o outro tentou impedir o irmão de continuar a agressão. Para conseguir identificar o suspeito, a polícia usou características como penteado e cor da roupa.

Eduardo e o irmão (considerado testemunha) são filhos de Viviane Purkote Melo, uma corretora imobiliária de São José dos Pinhais (PR), candidata a vereadora pela Rede nas eleições de 2016, além de enteados de Jairo Melo, vice-prefeito da cidade entre 2009 e 2012, qe ue já foi vereador e secretário. Jairo tentou se eleger deputado estadual pelo MDB no último pleito, mas não conseguiu.

Enredo de terror

a polícia indica que Daniel começou a ser espancado na manhã de sábado, depois de uma noite em que todos os convidados beberam muito, o que pode dificultar a identificação de duas pessoas tão semelhantes. Os irmãos gêmeos são amigos de Allana Brittes da época do colégio e conhecidos na cidade por frequentarem eventos políticos ao lado do padrasto.

Moradores de um condomínio fechado de alto padrão, gostam de festejar em raves. Eduardo, considerado o mais agitado e comunicativo, também já participou de campeonatos de Muay Thai.

A defesa dos irmãos afirma que ambos são inocentes. Em seus depoimentos, eles negaram qualquer participação nas agressões ao jogador.

O jogador de futebol Daniel Correa Freitas, 24 anos, foi encontrado parcialmente degolado com o órgão genital cortado. A justificativa para um assassinato tão brutal teria sido o envolvimento de Daniel com a esposa de Edson, Cristiana Brittes, 35 anos. Segundo afirmou o próprio Brittes, ele, sob descontrole emocional, matou o jogador.
Edson Brittes confessou ter assassinado o jogador com a justificativa que Daniel teria tentado estuprar a esposa, mas a teoria foi descartada pela polícia (Reprodução RPC)

De acordo com o laudo pericial, o jogador apresentava 13,4 decigramas de álcool por litro de sangue e não estava sob efeito de drogas. O resultado colocou por terra a teoria de que Daniel teria tentado estuprar Cristiana. O delegado da Polícia Civil de São José dos Pinhais, Amadeu Trevisan, afirmou que o jogador não teve como reagir à agressão que sofreu dentro da casa.

Festa de aniversário

Tudo teria começado na festa de aniversário de 18 anos da filha de Edson e sua esposa Cristiana, Allana, na noite de 26, que também contou com a presença de Daniel. A festa continuou na manhã do dia 27 na residência de Allana. Os convidados, então, foram para o fundo da casa beber e conversar. Menos Cristiana e Allana que teriam ido dormir.

Minutos depois, Daniel deixaria o grupo. Às 6h36, Daniel trocou mensagens no Whatsapp com amigos, dizendo estar na casa da aniversariante. Pouco mais de uma hora e meia depois, ele disse que iria “comer a mãe” da aniversariante, e que o pai de Allana também estava no local. Às 8h34, ele diz: “comi ela mlq [moleque]”. No aplicativo, o jogador envia duas imagens, na cama, ao lado de Cristiana, que está dormindo. O delegado Amadeu Trevisan disse que não houve arrombamento da porta.

O quarto teria sido invadido por Edson, que teria espancado o jogador junto com outros convidados. Depois da surra, Daniel teria sido levado para um matagal no carro de Edson, onde o corpo foi encontrado. Nos depoimentos, convidados afirmaram que Edson Júnior teria pegado uma faca de cerca de 20 cm e sem serra na cozinha de casa. A arma, jogada num riacho, não foi encontrada.

Além do assassino, todos os envolvidos na morte – Cristiana, Allana, Eduardo Henrique da Silva, namorado de uma prima de Cristiana, Ygor King e Willian David, amigos de Allana – também estão presos por suspeita de participar da morte do jogador. Todas as prisões são temporárias, válidas por 30 dias.

A decisão de manter a esposa e filha de Brittes presas foi motivada pelo entendimento do juiz de que há indícios de que Edison, Cristiana e Allana atuaram ameaçando e coagindo testemunhas a apresentar uma versão uniforme para o rime afim de atrapalhar as investigações.

O meia de campo Daniel estava emprestado pelo São Paulo ao São Bento, time que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2017, jogou no Coritiba. Daniel nasceu em Juiz de Fora (MG) e tinha 24 anos. Revelado pelo Cruzeiro, o meia também passou pelo Botafogo e Ponte Preta. (As informações das Agências)

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