Refugiados à deriva no Mediterrâneo buscam abrigo na Europa

O governo da Espanha deu, nesta segunda-feira, 11, um exemplo de solidariedade e moderação em meio ao crescimento das políticas anti-imigração na Europa dominada por partidos de extrema-direita e governos populistas, principalmente em países como a Itália, cujo novo ministro do Interior, Matteo Salvini, usou o Twitter para dizer que não receberá imigrantes.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ofereceu o porto de Valência para receber os 629 refugiados à deriva no Mar Mediterrâneo, resgatados no sábado (9), pelas organizações humanitárias SOS Mediterrâneo e Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O anúncio chegou em um momento de impasse diplomático, quando os governos da Itália e de Malta se recusaram a dar guarita aos refugiados e a água e comida no barco chegavam ao fim, segundo informou anteontem o Acnur – Alto Comissariado das Organização das Nações Unidas para Refugiados.

Na embarcação, entre as 629 pessoas que tentam imigrar para a Europa em busca de uma vida sem fome – os chamados refugiados sociais – ou fugindo de guerras civis – estão sete mulheres grávidas, 11 crianças pequenas e 123 adolescentes sem a companhia de responsáveis.

Segundo Salvini, “a Itália passará a dizer não ao tráfico de seres humanos e ao negócio da imigração clandestina. Meu objetivo é garantir uma vida serena aos nossos filhos. Salvar vidas é um dever, mas transformar a Itália em um enorme campo de refugiados não é”, declarou. O Acnur – Alto Comissariado da ONU para refugiados alertou para escassez de água e comida em embarcação

Crise migratória

Embora a crise migratória na Europa venha se agravando desde o começo dos anos 2000, dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) mostram que de 2014 para cá houve uma explosão de barcos de refugiados no Mediterrâneo.

Nos últimos quatro anos, 1,4 milhão de pessoas desembarcaram no continente europeu. Só a costa italiana recebeu 170 mil pessoas até o final do ano passado. Os foragidos vêm, principalmente, da Síria – em guerra civil há sete anos, da África e de campos no Líbano e Turquia.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez, também recentemente eleito, instruiu o porto de Valência a receber o navio de resgate Aquarius, fretado pelos voluntários do SOS Mediterrâneo e dos Médicos Sem Fronteiras para salvar os refugiados.

O capitão da embarcação, no entanto, ainda não havia sido avisado da nova rota a ser feita, até o final da noite desta segunda-feira.

O percurso, de cerca de 700 milhas náuticas, leva três dias. Segundo o Acnur, o problema é que sem água e comida, a viagem pode ser penosa demais para os embarcados. Muitos, inclusive, já estão sofrendo de hipotermia pelos dias no mar.

O Acnur, a União Europeia, a Alemanha e grupos humanitários exigiram que os países do Mediterrâneo colocassem sua política interna de lado e considerassem com urgência a situação dos refugiados.

Pedro Sánchez, ao autorizar o desembarque em Valência, emitiu nota em que afirma: “É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer um porto seguro a essas pessoas, cumprindo dessa maneira com as obrigações do Direito Internacional”.

Infelizmente, em um mundo fraturado por desigualdade social, guerras e intolerância, quando estrangeiros passam a ser vistos como ameaça, cada vez menos líderes europeus pensam como o premiê espanhol. (As informações das Agências)

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