Ala tucana favorável ao rompimento se fortalece

Políticos e intelectuais do PSDB aumentam o coro para que o partido desembarque do governo do presidente Michel Temer. Ontem, em conversa com o A Tarde, a ala tucana descontente criticou a pressa do PMDB de mandatário do país em promover reformas e até mesmo o histórico de alianças com a oposição.

O racha foi reforçado na segunda-feira, com a publicação de um manifesto assinado por economistas e cientistas políticos do PSDB que, além de apoiar o nome do senador Tasso Jereissati (CE) para a presidência do partido, sugere que o governo não tem se “comportado de acordo com os preceitos éticos na condução dos assuntos de interesse público”. E pedem a saída da base de apoio de Temer.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, que deve concorrer à presidência do PSDB, está reticente quanto sustentar discurso de integrante de partido aliado ao governo. Disse, há cerca de três meses na imprensa, que o desembarque seria natural em algum momento destes últimos meses do ano, quando os ministros serão desligados já atentos às candidaturas para 2018.

“O PSDB pode tranquilamente apoiar as reformas, apoiar medidas que sejam a favor do Brasil, sem necessariamente estar no governo. Já deu a sua contribuição. O PSDB ajudou no impeachment, não se furtou em colaborar, mas agora chegou a hora de focarmos na eleição presidência, no programa do partido daqui pra frente”, disse o governador.

Perillo deve disputar a presidência dos tucanos com Tasso Jereissati, outro favorável ao desembarque do PSDB do governo desde que assumiu a presidência interina do partido, à época que Aécio foi afastado do mandato pela primeira vez.

Baianos
Na Bahia, o deputado pelo PSDB João Gualberto é mais um político tucano que se rebela contra o governo. “Sempre acreditei que o PSDB não deveria ficar com qualquer tipo de cargo neste governo, uma vez que faziam chapa com o PT. Tivemos papel importante no impeachment, mas isso bastava. Mesmo havendo uma ala no PSDB que mantém apoio a Temer, casos de Aécio Neves e Imbassahy, vejo que está próxima a data do desembarque”, ressalta.

O documento de apoio a Tasso Jereissati, assinado pelos economistas Pérsio Arida, Edmar Bacha e Elena Landau e pelos cientistas políticos Bolivar Lamounier e Luiz Roberto Cunha, torna ainda mais público o empenho interno em desvincular o quanto antes o PSDB da administração Temer, apesar deste tema ser abordado de forma secundária. O protagonismo do partido é exigido pelos intelectuais no manifesto.

“O PSDB precisa voltar a ser o PSDB do Plano Real, capaz de formular e implementar a agenda de reformas necessária para que o Brasil volte a crescer de forma sustentável, com justiça social e respeito aos direitos civis”. Destacam, ainda, que o PSDB é o partido capaz de devolver uma “postura ética” ao Brasil e com habilidades de entender as “prioridades nacionais”, tendo como foco o “bem-estar da grande maioria dos brasileiros”.

Disputa
O eminente desembarque dos tucanos da Esplanada dos Ministérios vem acompanhado da acirrada disputa à presidência do PSDB. Na semana passada, em encontro no Senado, o mandatário interino da sigla, senador pelo Ceará Tasso Jereissati, recebeu o governador de Goiás, Marconi Perillo, e ouviu do correligionário que gostaria de disputar o posto na próxima convenção nacional do partido, marcada para o dia 9 de dezembro.

Perillo tem conversado com diversos dirigentes do partido, bancadas do Senado e da Câmara, além de outros governadores sobre a vontade de ser presidente do PSDB. “Disse para ele sobre uma série de medidas que precisam ser aplicadas no partido daqui pra frente, principalmente no sentido de, alguma maneira, trazermos de volta os jovens e a militância. Levarmos à militância do partido teses e propostas novas que possam sensibilizar a sociedade. Teses corajosas que possam ajudar a construir o país”.

Uma que converge para ambos é o sentimento de unir o partido. “Tasso e eu teremos outras conversas nas próximas semanas no sentido de buscarmos a unidade. Ele já colocou aqui de forma clara o objetivo dele, e eu falei do meu o meu objetivo, que não é ficar disputando. Nosso objetivo é a unidade e se depender de mim, vamos construir essa unidade”, ressaltou Perillo.

Apesar de não ter declarado abertamente a intenção de disputar a presidência do partido, Tasso deverá ser um dos candidatos e, para alguns tucanos, leva vantagem na disputa.

O entendimento entre os dois, contudo, deverá ser no sentido de que o senador cearense deverá assumir agora o comando do PSDB e, na sequência, assumiria Marconi Perillo. Tal ideia vai ao encontro do que pensa o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que em recente evento afirmou ser positivo a alternância de poder, como ocorreu no início do partido. (As informações do ESTADÃO)

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